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Projetos com Causa
São os projetos que me movem. Eles dão sentido ao meu trabalho e, de muitas maneiras, à minha própria existência. Nascem da urgência, da empatia e da convicção de que contar histórias pode ser uma força poderosa de transformação.
Planeta Feliz em Chamas
Concebido para o momento da COP30, o filme usa humor sombrio e imagens surrealistas para expor as contradições da nossa civilização “verde”. É uma crítica à ilusão de que progresso e destruição podem coexistir em harmonia, um espelho voltado para nossa negação coletiva: um planeta vestido para o próprio funeral. Visualmente, a obra combina a elegância da publicidade com a inquietação dos sonhos distópicos. Cada quadro foi pensado para seduzir à primeira vista e, quando percebemos o que realmente acontece, causar profundo desconforto.
Versos pela Democracia
Minha produtora criou este filme a convite de Marina Silva, então candidata à Presidência e hoje ministra do Meio Ambiente do Brasil. Ela nos deu liberdade criativa total num momento em que a democracia brasileira estava ameaçada e o Estado laico sofria cada vez mais com a interferência religiosa.
Minha ideia foi encenar uma situação conhecida: um homem entra em um ônibus e começa a falar como se fosse um pastor. Os passageiros desconfiam no início, mas aos poucos passam a ouvir. No fim, ele não deixa uma Bíblia, e sim a Constituição brasileira. É um lembrete de que esse é o único livro que garante a democracia, e de que a democracia continua sendo o melhor sistema para proteger nossos direitos.
O filme viralizou no país inteiro e virou um fenômeno cultural. Infelizmente, foi apropriado mais tarde pelo candidato que se tornaria presidente, que fez circular uma versão com sua própria assinatura. Essa apropriação faz parte da história recente do Brasil. E também nos lembra que a democracia precisa ser sempre defendida e protegida.
Medicina da Imaginação






O livro foi gentilmente ilustrado pelo artista Fabiano Tatu, que interpretou o universo de Isabela com sensibilidade e profundidade.
A Medicina da Imaginação nasceu de uma investigação pessoal sobre a imaginação como força de cura. Não como metáfora, mas como ferramenta fundamental de bem-estar e resiliência. Desenvolvi o conceito primeiro em projetos independentes: publiquei um livro por conta própria, que mais tarde se tornou referência em cuidados paliativos, e encenei uma peça gratuita na Livraria Cultura, então a maior livraria do Brasil.
Fiz uma parceria com o GRAACC, importante hospital de oncologia pediátrica, para explorar como histórias e imaginação poderiam apoiar crianças em tratamento. Durante anos, defendi ativamente essa causa ao lado da terapeuta inovadora Marilia Chinazzo. Juntas, e sem financiamento externo, criamos episódios de podcast imersivos e imaginativos para o Spotify, com narração, trilha original e desenho de som cinematográfico que colocavam o ouvinte no centro da história. Cada cena era construída em camadas de simbolismo, convidando a uma viagem às profundezas do próprio inconsciente. Também desenvolvemos um aplicativo e imaginamos levar o projeto a escolas e hospitais de todo o Brasil.
Embora a falta de investidores tenha interrompido a iniciativa, a Medicina da Imaginação continua guiando minha trajetória criativa. Foi minha primeira tentativa consciente de unir arte, saúde e impacto social. Ela me lembra que histórias podem ser mais do que narrativas: podem ser remédio.
Anne Frank fala na ONU
Escrevi e dirigi este curta como um eco contemporâneo da voz de Anne Frank, colocando suas palavras em diálogo com o presente. Com ferramentas de IA para vídeo, voz e trilha sonora, “recriei” Anne Frank. Entrelacei sua presença a uma montagem de imagens históricas e atuais, conectando a intimidade do diário à tragédia ainda em curso em Gaza, onde crianças continuam vivendo sob cerco, privadas de segurança e dignidade.
O filme não foi concebido para oferecer respostas, mas para despertar o reconhecimento de que a história de Anne não é apenas passado: é um espelho do nosso tempo. Ao colocar sua voz diante dos conflitos de hoje, a obra nos lembra que a luta pela vida, pela liberdade e pela dignidade é tão urgente agora quanto era antes.
Tecnologia Narrativa para a Educação
Acredito que a educação precisa de uma revolução e que a tecnologia pode se tornar uma aliada fiel das crianças na escola. Em 2017, desenvolvi o protótipo de um jogo de tabuleiro híbrido com realidade aumentada: uma galinha astronauta viajava por diferentes planetas para recuperar seus ovos perdidos, superando desafios matemáticos e perigos cósmicos pelo caminho.
O projeto nasceu de uma parceria entre minha antiga produtora e o estúdio Índice Design, liderado pelo meu amigo e inventor de ideias Jonattas Poltronieri. Construímos um protótipo funcional e o apresentamos a potenciais investidores na Meta (então Facebook). Embora não tenhamos conseguido financiamento, Tecnologia Narrativa para a Educação continua sendo um marco na minha trajetória como ativista da educação, mostrando como brincadeira, histórias e tecnologia podem se unir para criar novas experiências de aprendizagem.
Marcha da Liberdade

Em junho de 2011, uma manifestação pacífica em São Paulo foi reprimida com violência pela polícia, dando início a um movimento mais amplo pela liberdade de expressão.
Registrei o protesto em um curta-metragem que viralizou entre ativistas. Isso levou uma rede nacional de ativismo a me convidar para conduzir a comunicação de uma grande marcha apartidária, realizada simultaneamente em todo o Brasil.
Criei uma identidade completa para o movimento, com palavras de ordem, identidade visual e chamadas à mobilização adaptadas a diferentes grupos da sociedade. Também convidei amigos da indústria criativa a contribuir com seus talentos, formando um esforço coletivo que foi muito além da minha atuação individual.
De forma inovadora para a época, construímos uma plataforma digital de criação colaborativa. Designers, cineastas, jornalistas, estudantes e ativistas de todo o país podiam contribuir com faixas, bandeiras, panfletos virtuais, vídeos e todos os materiais necessários para mobilizar as pessoas para a marcha.
Em 18 de junho de 2011, a Marcha da Liberdade aconteceu em mais de 40 cidades, recebeu ampla atenção da imprensa tradicional e inspirou conteúdos criados pelo público nas redes sociais.
Ela se tornou a centelha do que mais tarde seria chamado de primavera democrática brasileira.
Na época, um chefe me deu uma bronca: “Você não pode vender pasta de dente e ser contra o sistema.” Minha resposta continua a mesma: “Por que não?”







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